Ibejis são
divindades gêmeas
infantis, é um orixá
duplo e tem seu
próprio culto,
obrigações e
iniciação dentro do
ritual.
Divide-se em
masculino e
feminino,(gêmeos).
No oyó cultua-se
como erês ligado a
qualidades de xangô
e oxun. Popularmente
conhecido como xangô
e oxun de ibeji.
Os orixás gêmeos
protegem os que ao
nascer perderam
algum irmão (gêmeo),
ou tiveram problemas
de parto. Em algumas
casas de candomblé e
batuque são
referidos como erês
(crianças) que se
manifestam após a
chegada do orixá
chamados de axé erês
ou axêros. Em outras
são cultuados como
xangô e ou oxum
crianças. Porém na
verdade são orixás
independentes dos
erês.
Por serem gêmeos,
estão ligados ao
princípio da
dualidade e de tudo
que vai nascer,
brotar e criar.
Arquétipos:
Jovens, brincalhões,
irreverentes e
enérgicos. Mesmos os
adultos filhos deste
orixá, possuem
características
infantis.
Lendas:
Existiam num reino
dois pequenos
príncipes gêmeos que
traziam sorte a
todos. Os problemas
mais difíceis eram
resolvidos por eles;
em troca, pediam
doces balas e
brinquedos.
Esses meninos faziam
muitas traquinagens
e, um dia, brincando
próximos a uma
cachoeira, um deles
caiu no rio e morreu
afogado. Todos do
reino ficaram muito
tristes pela morte
do príncipe.
O gêmeo que
sobreviveu não tinha
mais vontade de
comer e vivia
chorando de saudades
do seu irmão, pedia
sempre a orumilá que
o levasse para perto
do irmão.
Sensibilizado pelo
pedido, orumilá
resolveu levá-lo
para se encontrar
com o irmão no céu,
deixando na terra
duas imagens de
barro. Desde então,
todos que precisam
de ajuda deixam
oferendas aos pés
dessas imagens para
ter seus pedidos
atendidos.
Outra Informação sobre Ibeji
(Wikipédia)
Ìbejì é o Òrìsà dos gêmeos. Da-se o nome de Taiwo ao
Primeiro gêmeo gerado e o de Kehinde ao último. Os Yorùbá
acreditam que era Kehinde quem mandava Taiwo supervisionar o
mundo, donde a hipótese de ser aquele o irmão mais velho.
Cada gêmeo é representado por uma imagem. Os Yorùbá colocam
alimentos sobre suas imagens para invocar a benevolência de
Ìbejì. Os pais de gêmeos costumam fazer sacrifícios a cada oito
dias em honra ao Òrìsà .
O animal tradicionalmente associado a Ìbejì é o macaco
colobo, um cercopiteco endêmico nas florestas da África
Equatorial. A espécie em questão é o colobus polykomos,
ou "colobo real", que é acompanhado de uma grande mística entre
os povos africanos. Eles possuem coloração preta, com detalhes
brancos, e pelas manhãs eles ficam acordados em silêncio no alto
das árvores, como se estivessem em oração ou contemplação, daí
eles serem considerados por vários povos como mensageiros dos
deuses, ou tendo a habilidade de escutar os deuses. A mãe colobo
quando vai parir, afasta-se do bando e volta apenas no dia
seguinte das profundezas da floresta trazendo seu filhote (que
nasce totalmente branco) nas costas. O colobo é chamado em
Yorùbá de edun oròòkun, e seus filhotes são considerados
a reencarnação dos gêmeos que morrem, cujos espíritos são
encontrados vagando na floresta e resgatado pelas mães colobos
pelo seu comportamento peculiar.
Na África , as crianças representam a certeza da
continuidade, por isso os pais consideram seus filhos sua maior
riqueza. A preocupação com os sustento das crianças é freqüente
entre os povos negros, haja a vista a miséria das cidades
africanas e a situação do negro na escravidão e na diáspora.
A palavra Igbeji que dizer gêmeos e o orixá Igbeji é o único
permanentemente duplo. Forma-se a partir de duas entidades
distintas que coo-existem, respeitando o princípio básico da
dualidade.
Contam os Itãs (conjunto de lendas e histórias passados de
geração a geração pelos povos africanos), que os Igbejis são
filhos paridos por Iansã, mas abandonados por ela, que os jogou
nas águas. Foram abraçados e criados por Oxum como se fossem
seus próprios filhos. Doravante, os Igbejis passam a ser
saudados em rituais específicos de Oxum e, nos grandes
sacrifícios dedicados à deusa , também recebem oferendas.
Entre os deuses africanos, Igbeji é o que indica a
contradição,os opostos que caminham juntos a dualidade de todo o
ser humano, Igbeji mostra que todas as coisas, em todas as
circunstância, tem dois lados e que a justiça só pode ser feita
se as duas medidas forem pesadas, se os dois lados forem
ouvidos.
Na África, O Igbeji é indispensável em todos os cultos. Merece o
mesmo respeito dispensado a qualquer Orixá, sendo cultuado no
dia-a-dia. Igbeji não exige grandes coisas, seus pedidos são
sempre modestos; o que espera como, todos os Orixás, é ser
lembrado e cultuado. O poder de Igbeji jamais podem ser
negligenciado, pois o que um orixá faz Igbeji pode desfazer, mas
o que um Igbeji faz nenhum outro orixá desfaz. E mais: eles se
consideram os donos da verdade.
Existe uma confusão latente entre o Orixá Igbeji e os Erês. É
evidente que há uma relação, mas não se trata da mesma entidade.
O Erê é o intermediário entre a pessoa e seu Orixá, é o aflorar
da criança que cada um guarda dentro de si; reside no ponto
exato entre a consciência da pessoa e a inconsciência do orixá.
É por meio do Erê que o Orixá expressa sua vontade, que o noviço
aprende as coisas fundamentais do candomblé, como as danças e os
ritos específicos de seu deus. São duas divindades gêmeas, sendo
costumeiramente sincretizadas aos santos gêmeos católicos Cosme
e Damião. Ao contrário dos erês, entidades infantis ligadas a
todos os orixás e seres humanos, são divindades infantis,
orixás-crianças.
Por serem gêmeos, são associados ao princípio da dualidade;
por serem crianças, são ligados a tudo que se inicia e brota: a
nascente de um rio, o nascimento dos seres humanos, o germinar
das plantas, etc.
Seus filhos são pessoas com temperamento infantil, jovialmente
inconseqüente; nunca deixam de ter dentro de si a criança que já
foram. Costumam ser brincalhonas, sorridentes, irrequietas, tudo
enfim que se possa associar ao comportamento típico infantil.
Muito dependentes nos relacionamentos amorosos e emocionais em
geral, podem então revelar-se teimosamente obstinados e
possessivos. Ao mesmo tempo, sua leveza perante a vida se revela
no seu eterno rosto de criança e no seu modo ágil de se
movimentar, sua dificuldade em permanecer muito tempo sentado,
extravasando energia. Podem apresentar bruscas variações de
temperamento, e certa tendência a simplificar as coisas,
especialmente em termos emocionais, reduzindo, à vezes, o
comportamento complexo das pessoas que estão em torno de si a
princípios simplistas como "gosta de mim" ou "não gosta de mim".
Isso pode fazer com que se magoem e se decepcionem com certa
facilidade. Ao mesmo tempo, suas tristezas e sofrimentos tendem
a desaparecer com facilidade, sem deixar grandes marcas. Como as
crianças em geral, gostam de estar no meio de muita gente, das
atividades esportivas, sociais e das festas.
A grande cerimônia dedicada a estes orixás acontece a 27 de
setembro, dia de Cosme e Damião, quando comidas como caruru,
vatapá, bolinhos, doces, balas (associadas às crianças,
portanto) são oferecidas tanto aos orixás como aos
freqüentadores dos terreiros.
Ibeji na nação Keto, ou Vunji nas nações Angola e Congo. É o
orixá Erê, ou seja, o orixá criança. É a divindade da
brincadeira, da alegria; sua regência está ligada à infância.
Ibeji está presente em todos os rituais do Candomblé pois, assim
como Exu, se não for bem cuidado pode atrapalhar os trabalhos
com suas brincadeiras infantis, desvirtuando a concentração dos
membros de uma Casa de Santo. É o orixá que rege a alegria, a
inocência, a ingenuidade da criança. Sua determinação é tomar
conta do bebê até a adolescência, independente do orixá que a
criança carrega. Ibeji é tudo de bom, belo e puro que existe;
uma criança pode nos mostrar seu sorriso, sua alegria, sua
felicidade, seu engatinhar, falar, seus olhos brilhantes. Na
natureza, a beleza do canto dos pássaros, nas evoluções durante
o vôo das aves, na beleza e perfume das flores. A criança que
temos dentro de nós, as recordações da infância. Feche os olhos
e lembre-se de uma felicidade, de uma travessura e você estará
vivendo ou revivendo uma lenda desse orixá. Pois tudo aquilo de
bom que nos aconteceu em nossa infância, foi regido, gerado e
administrado por Ibeji. Portanto, ele já viveu todas as
felicidades e travessuras que todos nós, seres humanos, vivemos.
A palavra Eré vem do yorubá, iré, que significa "brincadeira,
divertimento". Daí a expressão siré que significa “fazer
brincadeiras”. O Ere(não confundir com criança que em yorubá é
omodé) aparece instantaneamente logo após o transe do orixá, ou
seja, o Ere é o intermediário entre o iniciado e o orixá.
Durante o ritual de iniciação, o Ere é de suma importância pois,
é o Ere que muitas das vezes trará as várias mensagens do orixá
do recém-iniciado. O Ere na verdade é a inconsciência do novo
omon-orixá, pois o Ere é o responsável por muita coisa e ritos
passados durante o período de reclusão. O Ere conhece todas as
preocupações do iyawo (filho), também, aí chamado de omon-tú ou
“criança-nova”. O comportamento do iniciado em estado de “Ere” é
mais influenciado por certos aspectos de sua personalidade, que
pelo caráter rígido e convencional atribuído a seu orixá. Após o
ritual do orúko, ou seja, “nome de iyawo” segue-se um novo
ritual, ou o reaprendizado das coisas.
Texto adaptado por Lokeni Ifatolà
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